Ansiedade vs. Transtorno de Pânico: como diferenciar e o que fazer na crise

Introdução

A ansiedade é uma resposta normal do organismo a situações de perigo, pressão ou incerteza. Quando essa resposta se torna excessiva, frequente ou interfere na vida diária, pode configurar um transtorno de ansiedade. O transtorno de pânico é uma forma específica de transtorno de ansiedade caracterizada por episódios súbitos e intensos de medo (ataques de pânico). Entender as diferenças entre ansiedade generalizada e crise de pânico ajuda a reconhecer quando procurar ajuda profissional e quais medidas tomar na hora da crise.


O que é ansiedade (transtorno de ansiedade)?

Transtornos de ansiedade incluem um conjunto de condições (como transtorno de ansiedade generalizada, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático) que têm em comum preocupação excessiva, tensão e sintomas físicos como taquicardia, tensão muscular e dificuldade de concentração. No transtorno de ansiedade generalizada, por exemplo, a preocupação é persistente e difusa — afeta diversos aspectos da vida por semanas ou meses.

Sinais comuns de ansiedade prolongada

  • Preocupação excessiva e difícil de controlar.
  • Tensão muscular, irritabilidade, fadiga.
  • Problemas de sono (insônia ou sono não reparador).
  • Sintomas físicos: palpitações, sudorese, tremores, desconforto abdominal.

O que é ataque de pânico e transtorno de pânico?

Um ataque de pânico é um episódio abrupto de medo intenso acompanhado por sintomas físicos e cognitivos intensos — costuma atingir o pico em minutos e depois ceder. O transtorno de pânico é quando esses ataques são recorrentes e há medo persistente de ter novos ataques ou mudanças comportamentais (como evitar lugares).

Sintomas típicos de um ataque de pânico

  • Palpitações ou taquicardia intensa.
  • Sensação de falta de ar ou sufocamento.
  • Dor ou desconforto no peito.
  • Tontura, sensação de desmaio.
  • Formigamento, tremores, sudorese.
  • Sensação de perda de controle, medo de morrer ou enlouquecer.

Principais diferenças (resumo prático)

  • Duração e padrão: ansiedade crônica tende a ser contínua; ataques de pânico são episódicos, súbitos e de curta duração (minutos).
  • Intensidade: ataques de pânico são normalmente muito mais intensos e avassaladores.
  • Gatilhos: ansiedade pode ser desencadeada por preocupações cotidianas; panic attacks podem ocorrer com ou sem gatilho claro (surgem “do nada”).
  • Comportamento: o transtorno de pânico frequentemente leva à evitação (medo de ter novo ataque em locais públicos), enquanto a ansiedade generalizada causa preocupação persistente e difusa.

Como agir durante uma crise de ansiedade / ataque de pânico

As recomendações abaixo ajudam a reduzir a sensação de descontrole. Se os sintomas forem muito intensos ou houver risco (pensamentos suicidas, sinais de infarto), procure emergência.

  1. Reconheça o que está acontecendo — dizer a si mesmo: “isto é um ataque de pânico, vai passar” ajuda a reduzir o medo catastrofista.
  2. Sente-se e torne o ambiente seguro — interrompa atividades, sente-se e afrouxe roupas apertadas.
  3. Respiração controlada (paced breathing) — respire lentamente pelo nariz por 4 segundos e expire pela boca por 6 segundos; repita até sentir desaceleração. Evite hiperventilar.
  4. Técnica de grounding (ancoragem) — identifique 5 coisas que você vê, 4 que pode tocar, 3 que ouve, 2 que cheira e 1 que sente; isso traz atenção ao presente.
  5. Água e foco — beber um poucos goles de água e concentrar-se em movimentos simples pode ajudar.
  6. Permita que o ataque passe — a maioria dura menos de 20 minutos; tente não lutar contra as sensações.
  7. Peça ajuda se precisar — esteja com alguém de confiança ou ligue para serviços de apoio se sentir insegurança.

Importante: se houver dor torácica intensa, perda de consciência, fraqueza súbita ou outros sinais neurológicos, procure atendimento de emergência imediatamente, porque é preciso excluir causas médicas.


Tratamento a médio e longo prazo

O manejo eficaz costuma combinar intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas, além de mudanças no estilo de vida.

Psicoterapia

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC) — com técnicas específicas como reestruturação cognitiva, exposição interoceptiva (no pânico) e treino de controle respiratório. É a abordagem com maior evidência.
  • Terapias complementares — terapia interpessoal, terapia baseada em mindfulness (MBCT) e grupos psicoeducativos também ajudam.

Medicamentos

  • ISRSs (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) e IRSNs são frequentemente usados no tratamento de transtornos de ansiedade e no transtorno de pânico.
  • Benzodiazepínicos podem ser eficazes em crises agudas, mas têm risco de dependência; seu uso é geralmente pontual e controlado.
  • Em casos específicos, outros medicamentos (estabilizadores do humor, antipsicóticos atípicos) podem ser considerados conforme avaliação clínica.

Mudanças no estilo de vida

  • Sono regular, exercício físico, redução de cafeína e álcool, técnicas de relaxamento e gerenciamento do estresse têm impacto positivo no controle da ansiedade e na prevenção de ataques.

Quando procurar ajuda profissional

  • Se os ataques de pânico se tornam frequentes ou você passa a evitar situações por medo (evitamento significativo).
  • Se a ansiedade interfere no trabalho, estudos, relacionamentos ou tarefas diárias.
  • Se houver pensamentos suicidas, automutilação ou risco claro para si ou outros — procure emergência imediatamente.

Prevenção e plano pessoal

  • Mantenha consultas de acompanhamento e um plano de ação (quem contatar, o que fazer) caso haja nova crise.
  • Aprenda e pratique técnicas de respiração e grounding em momentos calmos para que estejam disponíveis na crise.
  • Informe familiares próximos sobre como ajudá-lo de forma prática (permanecer calmo, ajudar a respirar devagar, oferecer água).

Fale com o Dr. Heimar

Se você ou alguém próximo apresenta crises de ansiedade, ataques de pânico ou preocupação persistente que prejudique a vida diária, agende uma avaliação. O Dr. Heimar realiza diagnóstico cuidadoso, propõe plano de tratamento individualizado (psicoterapia, medicação quando indicada e orientações práticas) e acompanha a evolução para reduzir crises e melhorar a qualidade de vida.

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